# Capítulo 33: O Rei e o Loop
O Abra?o e a Senten?a
## I. O Cativeiro e a Rotina
Nati despertou com a dor lancinante na nuca, um lembrete seco e brutal da derrota. Estava em uma cela improvisada, mas segura, no por?o da casa de Zack. As paredes eram de tijolos frios, e a única luz vinha de uma pequena fresta no teto. A humilha??o da derrota era menor do que o terror que a Black Moon havia plantado em sua mente. O cheiro de p?o fresco e café, no entanto, era uma anomalia que a confundia.
Nos dias que se seguiram, Nati se tornou uma observadora for?ada da rotina daquela família disfuncional. Ela esperava ver o monstro, o Rei do Horror, mas via apenas um homem cansado.
Lyra e Mira revezavam-se nos cuidados com o "Menino", ensinando-o a manejar a adaga com a do?ura de m?es e a precis?o de guerreiras. K, a pragmática, treinava com uma ferocidade silenciosa, mas n?o perdia a oportunidade de lan?ar olhares de desaprova??o para Zack.
Nati percebia a contradi??o: o homem cuja cabe?a valia um bilh?o, o mais temido do mundo, era o centro de um lar. Ele era gentil com as mulheres, paciente com o garoto, e carregava a fragilidade de quem está à beira do colapso.
## II. A Desconstru??o de Nati
A mente de Nati era um campo de batalha. O silêncio da cela trazia de volta os *flashbacks* que a Black Moon havia despertado.
Ela tinha apenas oito anos quando o **falso anci?o** come?ou. A vila inteira o venerava. Aos quatorze, o abuso era uma rotina silenciosa, e a trai??o de seus pais, que a entregavam em troca de bên??os e status, era a ferida mais profunda.
*O cheiro de p?o fresco...*
Ela se lembrava do cheiro de p?o fermentando na casa de seus pais, enquanto o anci?o a levava para o celeiro. O cheiro de inocência misturado ao cheiro de podrid?o.
Ent?o, **Ygon** chegou.
Ele n?o era um salvador de contos de fadas. Ele era um gigante de olhos vermelhos que destruiu a vila em nome de uma nova ordem. Ele a encontrou, suja e quebrada, e a tirou do celeiro.
> "Você n?o é mais uma vítima. Você é **Nati**. E a partir de hoje, sua dor será sua for?a."
Ygon a abra?ou, um abra?o que n?o era de luxúria, mas de cuidado. Ele a treinou, deu-lhe um novo nome e um propósito. Nati o via como um messias que a tirou do sofrimento.
Nati racionalizava a ca?ada a Zack: Ygon precisava de fama, de aliados. Matar o homem mais perigoso do mundo era a prova de poder perfeita. Era um sacrifício necessário para o seu salvador.
## III. A Tens?o Familiar
K n?o conseguia conter sua frustra??o.
"Zack, ela é uma general de Ygon! Ela tentou nos matar! Por que ela ainda está viva?" K perguntou, a voz baixa, mas carregada de veneno.
Zack estava afiando a Black Moon, o som metálico preenchendo a sala.
"Ela é uma prisioneira, K. E uma fonte de informa??o."
"Informa??o? Ela tentou te matar com a sua própria for?a! E tentou me quebrar com a minha própria dor! Mate-a, Zack! é o pragmatismo que você nos ensinou!"
K olhou para Lyra e Mira, buscando apoio, mas elas apenas balan?aram a cabe?a.
"Zack sempre tem um motivo, K," disse Mira, sem desviar o olhar do "Menino" que treinava.
Nati, na cela, observava a cena. Ela n?o entendia por que Zack n?o rebatia K.
"Por que você n?o me mata, Ca?ador?" Nati gritou um dia, a voz rouca.
Zack se aproximou da cela, seu rosto cansado.
"Você é mal-educada, Nati," ele disse, com um sorriso leve. "Mas eu n?o te mato porque... nem tudo se resolve assim. Muitas vezes, um abra?o já basta."
Nati sentiu a bile subir. Ela cuspiu no rosto de Zack.
"Seu hipócrita!"
Zack limpou o rosto com a manga, o sorriso inabalável. "Eu sei que você está sofrendo, Nati. E eu n?o vou te dar o alívio da morte."
## IV. O Menino e a Liberta??o
O "Menino" era persistente. Todos os dias, ele levava um peda?o de p?o e um copo de água para Nati.
"Você n?o deveria estar aqui," ele disse um dia, seus olhos de ouro disfar?ado fixos nela.
"Eu sou uma prisioneira," Nati respondeu, com a voz fria.
"Você n?o parece uma prisioneira. Você parece triste."
Nati n?o respondeu.
Certa noite, o "Menino" foi até a cela. Ele usou a adaga que Zack lhe dera para for?ar a fechadura.
"Você está livre," ele sussurrou.
Nati saiu da cela, a adrenalina correndo em suas veias. Ela se virou para o garoto, a inten??o assassina em seus olhos. Ela se preparou para atacá-lo, para matá-lo e, em seguida, matar todos ali.
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Mas, ao olhar para o "Menino", ela viu a si mesma aos oito anos, antes do anci?o. Ela viu a inocência que havia sido roubada. Ela viu o sorriso do garoto, um sorriso puro e sem malícia.
Ela n?o queria ser um monstro como seus pais e o anci?o.
O "Menino" se aproximou e a abra?ou. Seu corpo pequeno e quente contra a armadura fria de Nati.
Nati lembrou da frase de Zack: *"Muitas vezes, um abra?o já basta."*
Ela n?o retribuiu o abra?o, mas também n?o o empurrou. Ela sentiu a dor se transformar em algo diferente.
## V. A Despedida Silenciosa
Nati se afastou do garoto. Ela n?o o atacou. Ela n?o atacou a casa. Ela n?o atacou a família.
Ela se virou e correu para a escurid?o da Floresta Vermelha.
Zack estava no telhado, observando-a partir. Ele n?o a impediu. Ele n?o a chamou.
Ele apenas sorriu, um sorriso de alívio e cansa?o.
A senten?a de Nati n?o era a morte, mas a liberdade de escolher quem ela seria.
***
O Rei e o Loop
## I. A Audiência com o Tirano
O ar no sal?o de Ygon era pesado, n?o com a fuma?a de incenso, mas com o cheiro metálico de poder e a frieza do mármore negro. Nati, ainda pálida e com os olhos fundos pela experiência com a Black Moon, ajoelhou-se diante do trono de obsidiana. Ygon, um gigante de olhos vermelhos, n?o a olhava com fúria, mas com uma decep??o calma e calculada.
— Levante-se, Nati — a voz de Ygon era um trov?o suave, que ressoava nas paredes do sal?o. — Você falhou. Zuko está morto. E o Ca?ador dos Olhos Negros está livre.
Nati levantou-se, a armadura rangendo.
— Meu senhor, eu...
— Silêncio — Ygon a interrompeu, sem elevar o tom. — Você se deixou levar pela vaidade, Nati. Eu nunca ordenei a ca?ada a Zack. Nunca.
A general engoliu em seco.
— Mas, meu senhor, todos os outros generais, os soldados... eles est?o ca?ando-o desde que o senhor assumiu a Cidade Vermelha. Por lealdade ao senhor, pela fama de derrotar o Rei do Horror.
Ygon sorriu, um gesto que n?o alcan?ava seus olhos.
— Fama... A fama é uma moeda barata, Nati. Zuko morreu por sua escolha de buscar essa fama. Zack n?o é nosso inimigo. A lealdade que custa a vida de meus companheiros é um pre?o alto demais.
Ele desceu do trono, caminhando lentamente até Nati. Sua m?o pousou no ombro dela, um toque que era ao mesmo tempo reconfortante e esmagador.
— Eu n?o sou o monstro que a fama diz, Nati. O mundo já me teme o suficiente. Os países que nos oprimiram por mais de mil anos pagar?o o pre?o, mas n?o por causa de um homem. O Continente Vermelho está pronto para invadir. O melhor a fazer agora é n?o se envolver com Zack.
Nati sentiu a sinceridade nas palavras de Ygon, e a culpa a atingiu com for?a.
— Ele... ele tem um garoto, meu senhor. Um menino.
Ygon parou. A surpresa, uma emo??o rara, cruzou seu rosto.
— Zack tem um filho? Impossível.
— N?o sei se é filho dele, mas ele o protege. O garoto tem olhos... NEGROS.
Nati percebeu o erro. O interesse de Ygon se acendeu, e o toque em seu ombro se tornou uma garra.
— Olhos NEGROS... Nati, percebeu que n?o deveria ter falado nada sobre o garoto.
Ygon a soltou, voltando ao trono. A audiência estava encerrada.
— Convoque uma reuni?o com os generais. Temos um novo alvo de interesse.
## II. O último Ato de Misericórdia
Longe dali, na base de Zack, a tens?o era palpável. K estava à beira de um ataque de nervos.
— Foi um erro, Zack! Deixar Nati fugir pode ser o fim da base e a morte de todos nós! Ygon virá com tudo!
Zack n?o rebateu. Ele estava sentado, polindo a Black Moon, o silêncio apenas aumentando a fúria de K.
Lyra e Mira entraram na sala, vestidas com suas roupas de ca?adoras. Lyra, com seu manto preto e roupas largas, e Mira, com a postura firme de guerreira. O "Menino" vestia uma roupa larga marrom, cobrindo o rosto e o corpo. Seus olhos e cabelos, disfar?ados por um pergaminho de ilus?o de K, eram negros.
— Está tudo pronto, Zack — disse Lyra, a voz calma. — A comida, o treinamento, os mapas.
K observava a cena, sem entender.
— O que está acontecendo?
— Vamos embora, K — disse Zack, finalmente. — Vamos para o **País Poliedro**.
K cambaleou.
— Você decidiu isso depois de libertar Nati?
— Sim. Foi o meu último ato bom nessas terras vermelhas. Está na hora de partir.
— E Orpheus? Ele n?o vai ficar na base!
— Lyra já o avisou — respondeu Mira. — Usamos um pergaminho de Ra.
K estava confusa, mas a raiva ainda fervia.
— Por que diabos vamos para o País Poliedro? Você sabe das tens?es! Eles est?o armados até os dentes, esperando o ataque do Continente Vermelho e de Ygon!
Zack se levantou, a Black Moon brilhando com um brilho sinistro.
— Está na hora de resolver algo no meu passado, K. Preciso rever alguns amigos e vingar a morte de Tobi. Eu fiz uma promessa, e está na hora de cumpri-la.
Mira se aproximou do "Menino".
— O garoto tem olhos NEGROS, Zack. N?o podemos arriscar ir para o país mais forte do mundo. O pergaminho de ilus?o de K pode falhar.
Lyra sorriu para K.
— Fique tranquila, K. Zack sabe as rotas. Ele sabe como entrar sem ser notado.
K zombou, brava com a calma de Lyra.
— Você está brincando comigo!
— K — disse Mira, a voz séria. — Zack nasceu no País Poliedro. Ele foi um soldado do Império.
K ficou chocada. Ela n?o sabia dessa informa??o.
— O País Poliedro só é esse Império gigante por causa de Zack. Foi lá que surgiu o vulgo de **Ca?ador dos Olhos Negros** e **Rei do Horror**.
K ficou em silêncio, a raiva se esvaindo, substituída por um medo reverencial.
## III. O Rei Banido
Mira se virou para o garoto.
— N?o use seu poder, a menos que sua vida esteja em risco.
— Claro, m?e — respondeu o garoto, entendendo perfeitamente a gravidade da situa??o.
K olhou para Lyra.
— Por que Zack n?o voltou ao Império?
Lyra deu um sorriso ir?nico.
— O pai dele o baniu.
K n?o imaginava que o pai de Zack era alguém influente no País Poliedro.
— Ele é o Rei.
K cambaleou. A informa??o era um choque.
— Mas como? Zack, filho de um Rei? é impossível! Ele tem olhos negros! O Rei tem olhos violetas, e todos da linhagem real também!
Lyra n?o respondeu, apenas deu de ombros.
Zack foi até uma sala, onde havia um pequeno altar. Sobre ele, o chapéu de Tobi e seu diário. Zack fez uma ora??o, pedindo prote??o e sabedoria. Ele orou pela alma de Tobi e, após isso, queimou o chapéu e o diário.
— Adeus, meu amigo. Irei vingar sua memória, pela Mona e por ti.
Zack sentiu o cheiro de cigarro, o que Tobi mais gostava de fazer.
Mira o encontrou ali.
— Você está bem?
— Eu sinto que estou em um *loop*, Mira. Parece que já vivi tudo isso em algum momento. Percebi isso quando acordei no Lago Negro.
— Você disse isso a Orpheus?
— N?o.
— O tempo nos dirá a verdade. N?o pense nisso agora.
Zack hesitou.
— Eu tenho tido sonhos. Uma mulher de olhos dourados me observa. Toda vez que eu digo "olá", ela responde...
— Meu amor — disse o "Menino", que havia entrado na sala sem que percebessem.
Zack e Mira ficaram sem rea??o.
— Como você sabe disso? — Zack questionou o garoto.
— Eu n?o sei. Mas eu sinto.
Mira olhou para o garoto.
— Vá ficar com a Lyra. Preciso conversar com o Zack.
O garoto foi até Lyra.
— Ele é só um garoto, Zack. Deixa ele fora dessa merda — questionou Mira, ao ver Zack sem rea??o.
Zack balan?ou a cabe?a.
— N?o vou for?á-lo a me dar respostas. Fica tranquila, Mira.
— Você é um bom pai, Zack. Só precisa ser menos general.
— Eu sei.
Mira o abra?ou, vendo o rosto pálido e triste de Zack.
— Nanashi está realmente vivo?
— Eu n?o sei. Mas Tobi n?o mentiria em seu leito de morte. Na verdade, eu nem sei o que pensar.
O grupo se reuniu, pegando mantimentos, bolsas, mapas e tudo o que era necessário para partir para o País Poliedro. A jornada do Rei Banido estava prestes a come?ar.
***
*Fim do Capítulo *

