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# Capítulo 7: Escolhas na Penumbra

  Lembre-se de acompanhar a história e deixar um favorito e um comentário para me dizer se você gostou ou n?o. Vejo que muitas pessoas leem a história, mas n?o seguem a página — seu apoio realmente me ajuda a entender que você gostou.

  Obrigado pela leitura.

  # Capítulo 7: Escolhas na Penumbra

  O ar estalou com a iminência da decis?o. Milos avan?ava, uma figura de inten??o fria e implacável, em dire??o ao círculo queimado no cora??o das ruínas. Cada passo seu parecia sugar a energia caótica da batalha, atraindo-a para si. Zack e Orpheus, postados nas ameias estilha?adas, sentiram o peso da escolha esmagá-los.

  "N?o podemos deixá-lo chegar ao círculo!" A voz de Orpheus era um rugido tenso, seus olhos vermelhos fixos em Milos. "Seja o que for que ele planeja, come?a ali! Eu o intercepto!"

  "E alimentar o eco com mais poder?" Zack retrucou, a voz embargada pela náusea que a vibra??o da Lua Negra lhe causava. A advertência do Menino, por mais perturbadora que fosse sua origem, parecia terrivelmente plausível. "Ele *quer* o confronto direto ali. Deve haver outro jeito. Os símbolos... talvez possamos cortar a fonte!"

  "N?o há tempo para talvez, Zack!" Orpheus n?o esperou resposta. Com um grito de fúria, ele saltou das ameias, sua Katana Escarlate deixando um rastro de fogo no ar enquanto ele mergulhava em dire??o a Milos e ao tenente bruto que o guardava.

  Zack cerrou os dentes, a frustra??o e o medo lutando dentro dele. Orpheus estava certo sobre o perigo imediato, mas a sensa??o de estar sendo manipulado, de que cada ato de violência apenas servia a um propósito maior e mais sombrio, era paralisante. Ele se for?ou a agir. Em vez de seguir Orpheus, ele se concentrou nos soldados corrompidos e nas criaturas que ainda pressionavam as defesas, mas seu olhar varria as paredes em busca dos símbolos rituais que Orpheus mencionara.

  A batalha se dividiu em focos desesperados. Orpheus colidiu com o tenente bruto em um duelo de for?a titanica, cada golpe ecoando como trov?o, enquanto tentava contorná-lo para alcan?ar Milos. As chamas escarlates lutavam contra a resistência antinatural do monstro modificado. Milos, por sua vez, parou a poucos metros do círculo, erguendo as m?os n?o para lutar, mas como se estivesse regendo uma orquestra invisível de dor e energia do Vazio, seus tenentes da névoa criando barreiras etéreas e ilus?es para proteger seu mestre.

  Zack liberou sua fúria contida sobre a horda. Raios negros dan?avam, mas ele sentia a Lua Negra reagir de forma estranha – às vezes respondendo com poder avassalador, outras vezes parecendo hesitar, causando flashes de dor aguda em sua mente, imagens fragmentadas de olhos dourados se apagando. Era como lutar com uma arma que tinha vontade própria, uma vontade malévola que se deliciava com sua agonia. Ele avistou um dos símbolos pulsando fracamente em uma parede parcialmente desmoronada e disparou um raio concentrado, tentando destruí-lo.

  O símbolo explodiu em uma chuva de faíscas profanas, mas em vez de enfraquecer a energia ambiente, pareceu causar uma rea??o adversa. O ch?o tremeu, e por um instante, Zack teve uma vis?o estonteante – n?o uma memória, mas uma impress?o sensorial: um grito primordial ecoando das profundezas da montanha, uma vasta consciência fria e faminta se agitando em seu sono.

  Enquanto isso, K defendia ferozmente o esconderijo do Menino. Ela notou algo estranho: os soldados corrompidos e as criaturas pareciam contornar sua posi??o, focando seus ataques em outros pontos, como se evitassem deliberadamente aquela área específica. Era prote??o ou... quarentena? O pensamento a deixou inquieta. O Menino, atrás dela, estava agora completamente silencioso, mas seus olhos escuros brilhavam com uma luz interna perturbadora.

  Orpheus, em um esfor?o supremo, conseguiu atravessar a guarda do tenente bruto, cravando sua katana em chamas no ombro da criatura. O monstro urrou, mas antes que Orpheus pudesse avan?ar sobre Milos, ele viu o líder encapuzado *sorrir*. Um sorriso que n?o alcan?ava os olhos ocultos, mas que transmitia uma satisfa??o gélida ao sentir a onda de dor e poder liberada pelo golpe de Orpheus.

  "Sim... mais..." A voz de Milos foi um sussurro que o vento pareceu carregar até Zack. "O cora??o desperta com a dor..."

  Nesse exato instante, como se respondesse a um comando, o Menino falou, a voz ainda monótona, mas com um tom final, quase de anúncio, que fez o sangue de K gelar. "O cora??o está quase acordado... a can??o está quase completa..."

  Milos ergueu as m?os em dire??o ao círculo queimado. A energia do Vazio, alimentada pela batalha, pela dor, pelo poder bruto liberado por Zack e Orpheus, convergiu para aquele ponto. O círculo brilhou com uma luz negra e doentia. O ch?o tremeu violentamente. Um pulso de energia pura e profana explodiu do centro das ruínas, varrendo o campo de batalha. N?o era uma explos?o física, mas uma onda de press?o psíquica e corrup??o que fez todos cambalearem, humanos e monstros.

  A névoa ao redor do pico da montanha pareceu engrossar, escurecer, e um som baixo e gutural, como o ranger de pedra antiga ou o despertar de algo colossal, come?ou a ecoar das alturas, sobrepondo-se aos sons da batalha. O Eco do Primeiro Grito fora perturbado. E algo respondera.

  # A Ressonancia da Montanha

  O pulso de energia profana varreu as ruínas como uma onda de choque silenciosa, mas seus efeitos foram imediatos e devastadores. O ch?o tremeu com mais violência, n?o um tremor comum, mas uma vibra??o profunda e dissonante que parecia emanar das próprias entranhas da montanha. O ar ficou pesado, carregado com uma estática que arrepiava a pele e fazia o metal zumbir. A press?o psíquica esmagou a mente, induzindo náuseas e uma sensa??o vertiginosa de desorienta??o em Zack, Orpheus e K.

  Os soldados corrompidos vacilaram, alguns caindo de joelhos, agarrando as cabe?as como se estivessem sob ataque s?nico. As criaturas do Vazio reagiram com mais violência, algumas entrando em um frenesi cego, atacando umas às outras ou se debatendo contra as paredes, enquanto outras pareciam paralisadas, tremendo sob a influência invisível. O caos reinou por um momento tenso.

  Mas Milos... Milos estava imóvel, a cabe?a ligeiramente inclinada, n?o em dor, mas em escuta atenta. Um fascínio quase clínico brilhava em seus olhos ocultos enquanto observava a rea??o caótica ao seu redor e, mais importante, a resposta da montanha. O som gutural vindo do pico intensificou-se, transformando-se em uma ressonancia baixa e constante, uma nota fundamental que vibrava na pedra, no ar, nos ossos. "Fascinante..." O murmúrio escapou de seus lábios, n?o para ninguém em particular, talvez para o Vazio que ele acreditava ouvir. "A frequência de resposta é... inesperada. O espécime primário reage à estimula??o externa. A camara de ressonancia está ativa."

  Orpheus, lutando para se livrar da vertigem, viu a postura de Milos. A fúria inicial deu lugar a um frio reconhecimento. "Ele n?o está lutando conosco," ofegou para Zack, desviando de um golpe descontrolado do tenente bruto, que também parecia afetado pela ressonancia. "Ele está... observando. Isso tudo é um maldito experimento para ele!"

  Zack sentia a ressonancia como uma agress?o pessoal. Cada vibra??o parecia ecoar na Lua Negra, amplificando a sensa??o de fragmenta??o, a náusea, os flashes de memórias roubadas. A espada em suas m?os parecia mais pesada, mais faminta, vibrando em uma harmonia profana com a montanha desperta. Ele lutou para manter o foco, para n?o sucumbir à cacofonia interna e externa.

  No esconderijo, K tentava proteger o Menino, que estava estranhamente calmo em meio ao caos vibratório. Seus olhos escuros estavam fixos no teto em ruínas, como se visse através da pedra. Ele n?o tremia mais, nem murmurava. Havia uma quietude nele, uma profundidade que K nunca vira. "Está ouvindo," ele disse de repente, a voz ainda monótona, mas com um novo timbre, quase antigo. "O Primeiro Grito n?o foi um grito. Foi uma can??o. E agora... ela se lembra da melodia."

  As palavras do Menino foram pontuadas por um novo desenvolvimento. A ressonancia come?ou a manifestar efeitos físicos bizarros. Pequenas pedras e detritos come?aram a levitar erraticamente. A névoa do Vazio que envolvia o pico pareceu se contorcer, formando padr?es geométricos impossíveis que se desfaziam e reformavam. E das encostas mais altas, novos sons se juntaram à ressonancia – o raspar de pedra sobre pedra, o estalar de gelo antigo, como se algo colossal estivesse se movendo nas profundezas ou despertando nas alturas.

  Milos observou essas manifesta??es com crescente interesse. Ele ergueu um dispositivo estranho, um orbe de metal escuro e cristal que parecia absorver a luz e medir as flutua??es de energia. "Dados preliminares promissores," murmurou ele. "A perturba??o inicial foi suficiente para iniciar a cascata de ressonancia. Fase dois requer análise e recalibra??o."

  Com uma calma desconcertante, ele fez um gesto para seus tenentes restantes. O bruto modificado, ainda lutando contra Orpheus, pareceu receber uma ordem silenciosa e come?ou a recuar, apesar dos golpes flamejantes. O ser da névoa dissolveu-se parcialmente, fundindo-se com a bruma ambiente.

  "O experimento inicial está concluído por ora," a voz de Milos projetou-se sobre a ressonancia, fria e desapaixonada. "Os resultados superaram as expectativas. Deixo vocês com... os efeitos colaterais. Considerem isso parte da coleta de dados sobre a resistência de diferentes espécimes à exposi??o prolongada." Ele se virou, come?ando a se afastar em dire??o à névoa mais densa, como se a batalha simplesmente n?o fosse mais relevante para seus propósitos.

  "Você n?o vai escapar!" Orpheus rugiu, tentando persegui-lo, mas uma súbita avalanche de pedras e gelo, deslocada pela vibra??o da montanha, bloqueou seu caminho.

  A montanha estava viva, ou algo dentro dela estava. E estava respondendo à perturba??o de Milos. A retirada do cientista n?o trouxe alívio, apenas a terrível percep??o de que haviam sido deixados para trás para enfrentar as consequências imprevisíveis de seu experimento. O ch?o continuava a tremer, a ressonancia aumentava, e das sombras da névoa que agora parecia pulsar com vida própria, novas formas, mais antigas e menos compreensíveis que as criaturas anteriores, come?aram a se insinuar. A batalha contra Milos havia acabado por enquanto, mas a luta pela sobrevivência contra a própria montanha desperta estava apenas come?ando.

  # A Can??o da Pedra

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  O mundo havia se tornado uma sinfonia de caos e pedra vibrante. A ressonancia da montanha n?o era mais um som de fundo; era uma presen?a física, uma for?a que distorcia a percep??o e animava o inanimado. O ar tremia, carregado de poeira e da estática opressora do Vazio. As ruínas do posto avan?ado gemiam sob a tens?o, paredes rachando e peda?os do teto desabando em meio à névoa pulsante.

  Zack tentou se firmar, mas o ch?o parecia ondular sob seus pés. A ressonancia martelava sua mente, trazendo consigo flashes perturbadores – n?o memórias, mas sensa??es cruas de confinamento, de eras de silêncio e de uma fome antiga e fria. A Lua Negra em suas m?os vibrava em uma frequência quase insuportável, um diapas?o sintonizado com a can??o primordial da pedra. Sentia um poder bruto emanando dela, mas também uma atra??o perigosa, um convite para se dissolver naquela vibra??o, para se tornar um com a montanha desperta.

  "Mantenham-se juntos!" A voz de Orpheus era um esfor?o contra a cacofonia. Ele ergueu uma barreira de chamas escarlates para deter uma avalanche de rochas que se soltou de uma encosta próxima, mas o fogo pareceu tremeluzir, sua cor menos vibrante, como se a própria energia da montanha o estivesse sufocando ou corrompendo.

  Das paredes, do ch?o, da própria névoa que agora se contorcia como tecido vivo, novas formas emergiam. N?o eram as criaturas biomecanicas ou os soldados corrompidos de Milos. Eram... diferentes. Constructos de pedra bruta, animados por uma luz interna doentia, moviam-se com uma rigidez implacável. Sombras antigas, quase bidimensionais, deslizavam pelas superfícies, seus toques drenando calor e sanidade. Elementais de poeira e névoa se formavam e se dissipavam, atacando com garras etéreas. A montanha estava usando seus próprios ossos e ecos para expulsar os intrusos.

  A luta tornou-se desesperada, uma dan?a caótica pela sobrevivência. Os constructos eram resistentes, quase imunes à dor, e as sombras eram difíceis de atingir. Zack disparou raios negros, mas seu controle estava comprometido; a energia às vezes explodia violentamente, outras vezes falhava, enquanto a ressonancia interferia. Ele se viu lutando n?o apenas contra as criaturas, mas contra as alucina??es que a can??o da pedra semeava em sua mente – vislumbres de olhos dourados acusadores, o som de vidro quebrando, a sensa??o de estar afundando em terra fria.

  Orpheus enfrentava os constructos com fúria, sua katana deixando sulcos flamejantes na pedra animada, mas eles se recompunham lentamente. "Isso n?o é o Vazio comum, Zack!" gritou ele, a frustra??o evidente. "é algo mais antigo, mais... fundamental! Precisamos sair daqui!"

  K, ferida mas determinada, mantinha um perímetro defensivo ao redor do Menino. Ela usava suas facas e sua agilidade para lidar com as sombras que tentavam se aproximar, mas a luta era desgastante. O Menino, no entanto, era uma ilha de calma perturbadora. Seus olhos escuros varriam o caos com uma compreens?o que n?o pertencia a uma crian?a. "N?o lutem contra a can??o," ele disse de repente, a voz ainda monótona, mas audível sobre a ressonancia. "Ou?am. Ela diz onde pisar. Onde a pedra dorme."

  K hesitou, mas o desespero a impeliu. Ela tentou seguir a indica??o do olhar do Menino, movendo-se para áreas onde a vibra??o parecia ligeiramente menor, onde as sombras pareciam hesitar. Funcionou. Era como encontrar caminhos seguros em um campo minado invisível.

  Zack ouviu as palavras do Menino, mas a Lua Negra em suas m?os parecia resistir, puxando-o para o confronto direto, para a libera??o de poder que alimentava a ressonancia. "N?o podemos apenas ouvir, Orpheus! Temos que abrir caminho!" Sua voz estava tensa, a influência da espada e da montanha tornando-o mais agressivo, mais desesperado.

  "Abrir caminho para onde, Zack?" Orpheus retrucou, bloqueando um punho de pedra. "Estamos presos! Usar mais poder aqui só vai piorar as coisas! Confie em K, siga o garoto!"

  A tens?o entre os dois era palpável, uma fratura momentanea em sua alian?a forjada no fogo. Enquanto discutiam, o Menino se aproximou de uma parede que vibrava intensamente. Ele estendeu a m?o pequena e tocou a pedra fria. Seus olhos se fecharam por um instante, e ent?o ele se virou para K, a express?o vazia, mas a voz carregada de uma certeza antiga. "O cora??o está abaixo. Frio. Cristalino. Ele canta a can??o mais alta. Milos ouviu. Ele gostou da can??o."

  A imagem mental que acompanhou as palavras atingiu K como um golpe físico: um vasto geodo de cristal negro pulsando lentamente nas profundezas da montanha, irradiando a ressonancia. E flutuando acima dele, a figura indistinta de Milos, observando com seu orbe escuro, um sorriso satisfeito em seu rosto oculto.

  "Precisamos sair," K disse, a urgência renovada pelo horror da vis?o. "O Menino pode nos guiar."

  Seguindo as indica??es crípticas do garoto e a intui??o de K, eles come?aram a se mover pelas ruínas instáveis, evitando os ataques mais diretos das criaturas da montanha, encontrando um caminho através do labirinto vibrante. Parecia haver uma saída, uma passagem estreita que levava para fora da área mais afetada pela ressonancia.

  Mas quando alcan?aram a entrada da passagem, uma figura bloqueou o caminho. N?o era uma criatura da montanha. Era o tenente bruto de Milos, o monstro modificado, seus olhos brilhando com uma luz vermelha fria. Ele n?o parecia mais desorientado. Estava ali, esperando, uma express?o quase curiosa em sua face deformada.

  "O Mestre deseja observar," a voz gutural do bruto ecoou, quase se perdendo na ressonancia. "Quer ver como os espécimes reagem à press?o prolongada. N?o interfiram na coleta de dados."

  # O Limiar do Eco

  A passagem estreita prometia uma fuga, mas o guardi?o era implacável. O tenente bruto de Milos, um colosso de carne modificada e pedra fundida, bloqueava o caminho, seus olhos vermelhos brilhando com uma frieza observadora na penumbra vibrante. A ressonancia da montanha pulsava ao redor deles, um batimento cardíaco primordial que tornava o ar espesso e a sanidade frágil.

  "Saia da frente!" Orpheus avan?ou, a Katana Escarlate crepitando. Ele desferiu um golpe flamejante, mas o bruto desviou com uma agilidade surpreendente para seu tamanho, o golpe de Orpheus atingindo a parede da passagem e fazendo a pedra vibrar ainda mais intensamente. Uma onda de energia dissonante ricocheteou, fazendo Orpheus recuar, ofegante.

  Zack ergueu a Lua Negra, a energia escura se acumulando na lamina. A tenta??o de liberar todo o poder, de obliterar o obstáculo, era quase avassaladora. A espada parecia concordar, vibrando com uma fome que ecoava a da montanha. Mas a lembran?a do pulso de energia anterior, a sensa??o de ter alimentado algo terrível, o conteve. Ele lan?ou um raio mais contido, que o bruto desviou com um escudo improvisado de pedra arrancada do ch?o.

  "Por que essa hesita??o?" A voz de K era tensa, cortante, enquanto ela observava a luta contida e o perigo crescente das vibra??es. "Acabem com ele! Podemos n?o ter outra chance de sair!"

  "Você n?o entende, K!" Orpheus retrucou, desviando de um golpe esmagador do bruto. Ele contra-atacou com uma explos?o de chamas, mas visivelmente menor que seu potencial máximo. "Liberar tudo aqui? Com a montanha assim? Você quer chamar algo pior?"

  "Pior que isso?" K gesticulou para o caos vibrante ao redor, para as sombras que se contorciam nas bordas da passagem.

  "Sim, pior!" Zack interveio, a voz rouca pela tens?o e pela náusea induzida pela ressonancia. A Lua Negra tremia em sua m?o. "Acha que Milos e suas aberra??es s?o o único horror lá fora? Já ouviu as histórias? O que acontece quando você grita muito alto no escuro do Vazio? Já ouviu falar de... Skull?"

  O nome pairou no ar, carregado de um medo ancestral que K reconheceu das lendas sussurradas nos becos de In Medias Res. Uma for?a ou entidade que representava a retribui??o final do Vazio contra aqueles que perturbavam seu equilíbrio com poder excessivo.

  "Isso é só um mito para assustar crian?as e ca?adores novatos," K rebateu, mas sua voz carecia de convic??o.

  "Mito?" Orpheus riu sem humor. "Diga isso aos ossos branqueados nas Terras Desoladas! Liberar poder bruto aqui fora, sem a prote??o das barreiras, é como acender uma fogueira no meio de um ninho de víboras cósmicas! Milos perturbou o Eco, nós n?o vamos piorar as coisas!"

  "Barreiras?" K franziu o cenho. "As das cidades? Como elas funcionam?"

  "Elas filtram a maior parte da influência direta, nos mantêm relativamente s?os," Zack respondeu evasivamente, os olhos fixos no bruto. "Mas n?o é hora para aulas de história arcana, K! Precisamos passar por ele, n?o destruí-lo!"

  Enquanto eles falavam, o Menino, que K mantinha atrás dela, deu um passo à frente. Seus olhos escuros fixaram-se no bruto, e ent?o na parede vibrante ao lado. "A can??o o incomoda," ele murmurou, a voz monótona. "Onde a pedra grita mais alto. Ele n?o gosta."

  K e Orpheus trocaram um olhar. Zack, ainda lutando contra a influência da Lua Negra, focou na indica??o do Menino. Havia um ponto na parede da passagem onde a ressonancia parecia concentrada, onde a pedra quase chorava sob a tens?o.

  "Distraia-o!" Zack gritou para Orpheus.

  Orpheus assentiu, lan?ando uma série de ataques flamejantes para for?ar o bruto a se concentrar nele. Enquanto o monstro estava ocupado, Zack canalizou uma quantidade controlada de energia negra, n?o na criatura, mas na parede indicada pelo Menino. O raio atingiu a pedra vibrante, n?o para destruí-la, mas para amplificar a ressonancia naquele ponto específico.

  Um grito agudo e dissonante ecoou da pedra, uma frequência insuportável que fez até Zack e Orpheus recuarem. O tenente bruto urrou, largando seu escudo improvisado e agarrando as laterais da cabe?a, seus olhos vermelhos piscando erraticamente. A can??o da pedra, amplificada e focada, era uma tortura para sua mente modificada.

  "Agora!" K gritou, puxando o Menino e correndo pela abertura criada enquanto o bruto estava momentaneamente incapacitado pela dor s?nica.

  Zack e Orpheus seguiram logo atrás, lan?ando um último olhar para o monstro que se contorcia. Ele n?o os perseguiu. Quando alcan?aram o exterior da passagem, encontraram-se na encosta da montanha, a ressonancia ainda presente, mas ligeiramente menos opressora. Olharam para trás. As ruínas do posto avan?ado pareciam estar sendo lentamente reabsorvidas pela montanha, a névoa ao redor delas pulsando com uma luz doentia. O tenente bruto estava parado na entrada da passagem agora desmoronada, observando-os partir, sua miss?o de conten??o e observa??o aparentemente cumprida.

  Eles haviam escapado do epicentro, mas n?o do perigo. Estavam expostos na montanha desperta, sob o olhar invisível de Milos e sob a amea?a implícita de Skull, caso perdessem o controle. A fuga era apenas o come?o de um novo pesadelo.

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