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Capitulo 2 Ecos na Escuridão

  Depois que Gehard revelara quem realmente era, sua origem, sua história... e a verdade sobre Evan e Anne, Victor passou a carregar um peso silencioso no olhar.

  Havia gratid?o, sim. Mas também medo.

  Medo de que novos segredos viessem à tona.

  Medo de que a comunidade, construída com tanto esfor?o, estivesse agora à beira de algo que ele n?o poderia controlar.

  — Você entende o risco? — perguntou Victor, certa noite, a sós com Gehard. — Se mais coisas surgirem... se alguém entrar em panico...

  Gehard manteve a calma.

  — Tudo o que contei é verdade. E tudo o que escondi... foi apenas para proteger vocês.

  Victor sustentou o olhar dele por alguns segundos.

  — E agora?

  — Agora minha esperan?a é voltar para Azura — respondeu Gehard. — E acredito que n?o estou sozinho nisso. Se duas crian?as se perderam de lá pra cá... alguém vai atravessar para buscá-las.

  A ideia pairou no ar como uma chama frágil — perigosa, mas impossível de ignorar.

  Depois de convencer Victor, Gehard entendeu que precisava ser honesto também com os demais moradores.

  Se quisesse permanecer ali... teria que confiar.

  Decidiu come?ar por alguém em quem já via amizade nascendo.

  Bella.

  A jardineira e floricultora da fazenda.

  Bella era dessas mulheres de presen?a firme; m?os marcadas de terra, postura decidida e língua afiada. Tinha fama de mandona, e ela n?o fazia muito esfor?o para desmentir. Ainda assim, havia nela uma sensibilidade silenciosa, um cora??o que poucos viam de imediato.

  Gehard a encontrou entre fileiras de flores lilases, ajoelhada, replantando mudas.

  — Bella... preciso te contar algo.

  Ela nem levantou o rosto.

  — Se for pra dizer que arrancaram minhas hortênsias de novo, já aviso que hoje eu enterro alguém junto com elas.

  — N?o é isso.

  Ela suspirou, limpando as m?os na saia, e ent?o o encarou.

  — Ent?o fala, estrangeiro misterioso.

  Gehard contou.

  Sobre Azura.

  Sobre o outro mundo.

  Sobre ser um viajante... preso ali.

  Bella ouviu tudo em silêncio, bra?os cruzados, express?o cada vez mais incrédula.

  Quando ele terminou, ela arqueou uma sobrancelha.

  — Ent?o deixa eu ver se entendi... — disse, seca. — Você n?o é daqui. Veio de um mundo mágico. Tem portais dimensionais. E duas crian?as caíram aqui por acidente.

  — Basicamente isso.

  Ela ficou alguns segundos olhando pra ele... e ent?o soltou uma risada curta.

  — Eu sabia que você n?o era normal. Mas isso aqui superou minhas expectativas.

  Gehard quase sorriu, sem saber se aquilo era bom sinal.

  Bella respirou fundo, olhando ao redor — para as flores, para a terra.

  — Engra?ado... — murmurou. — Desde que aquelas crian?as chegaram... minhas plantas florescem mais rápido

  Ele n?o disse nada.

  — Se você estiver mentindo — continuou ela, voltando a encará-lo — é a mentira mais bem construída que já ouvi.

  Ent?o sua express?o suavizou.

  — Mas se for verdade... — ela deu de ombros. — Espero que você encontre o caminho de volta, Gehard. Ninguém merece viver longe da própria terra.

  Foi o jeito dela de dizer que acreditava.

  E que torcia por ele.

  Em seguida, Jorge.

  Ou melhor...

  Bochecha.

  O padeiro da comunidade carregava o apelido com orgulho involuntário — suas bochechas grandes e redondas eram impossíveis de ignorar, sempre coradas pelo calor do forno.

  Gehard contou a mesma história.

  Azura.

  Portais.

  Crian?as perdidas entre mundos.

  Bochecha ouviu enquanto sovava massa, em silêncio absoluto.

  Quando Gehard terminou, ele apenas assentiu, como se tivesse acabado de ouvir a previs?o do tempo.

  — Faz sentido

  Gehard piscou, surpreso.

  — Faz?

  — Faz — repetiu ele, simples. — Desde que essas crian?as chegaram... o lugar mudou.

  Ele apontou a massa crescendo.

  — O p?o cresce melhor. As colheitas est?o mais fortes. Até o pessoal anda mais confiante.

  Bochecha sorriu, caloroso.

  — Parece que tem... energia no ar.

  Outros moradores come?aram a dizer o mesmo.

  Que a presen?a de Evan e Anne trazia uma sensa??o inexplicável de seguran?a.

  Como se algo maior velasse pela comunidade.

  Se aquilo era energia de Azura...

  Ent?o ela já estava ali, entre eles.

  Naquela noite, pela primeira vez desde que chegara, Gehard dormiu em paz.

  O medo de ser banido desaparecera. Ele n?o era mais um estranho, era acolhido.

  Alguns dias se passaram. As crian?as já haviam retornado aos afazeres da comunidade, correndo pelos campos, ajudando nas tarefas, rindo como se nada extraordinário tivesse acontecido.

  As aulas permaneciam suspensas, depois da explos?o, faltava espa?o adequado.

  Algumas atividades aconteciam ao ar livre, conduzidos por moradores que tentavam manter certa normalidade.

  Mas Gehard observava.

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  Sempre observando.

  Algo havia mudado nelas.

  Em uma conversa com Victor, ele finalmente colocou em palavras:

  — Elas est?o conectadas.

  Victor franziu a testa.

  — Conectadas como?

  — A Evan... e a Anne. — Gehard fez uma pausa. — Quando eles atravessaram... liberaram uma grande quantidade de energia. Parte disso foi absorvida pelas outras crian?as.

  Victor levou um tempo para processar.

  — Isso explicaria a recupera??o rápida...

  — E a liga??o que agora existe entre eles — completou Gehard.

  O silêncio que veio depois n?o era de medo

  Era de possibilidade.

  — Você seria capaz de desenvolver essas habilidades? — perguntou Victor. — Treiná-las?

  Gehard pensou.

  — Se elas aprenderem a dominar isso... podem fortalecer a comunidade. Fortalecer todos nós.

  Victor assentiu... mas havia mais.

  — E talvez... — continuou ele — sejam capazes de reabrir a janela entre os mundos.

  Agora os dois pensavam na mesma coisa.

  Azura.

  Voltar

  Gehard respirou fundo

  — é uma ideia brilhante.

  Sua mente já trabalhava.

  O lugar ideal.

  A forma mais segura.

  Como despertar os poderes... sem colocar ninguém em risco.

  Na manh? seguinte, tomou sua decis?o.

  Gehard reuniu as crian?as...

  O gramad?o próximo ao grande lago era amplo, verde e aberto o suficiente para que nenhum acidente... causasse grandes prejuízos.

  Ou, pelo menos, era o que Victor esperava.

  O sol da tarde refletia nas águas calmas, e a brisa trazia o cheiro doce das flores cultivadas por Bella ao redor do lago. Ao fundo, as estruturas da antiga fazenda — agora comunidade — observavam silenciosas o que estava prestes a acontecer.

  As crian?as estavam reunidas em semicírculo.

  Ansiosas.

  Curiosas.

  E perigosamente animadas

  Gehard caminhava à frente delas, m?os para trás, postura firme... mas o olhar denunciava tens?o.

  Ele ainda n?o conseguia usar magia.

  E aquilo o inquietava.

  Se crian?as humanas, que nunca pisaram em Azura, estavam manifestando poderes... ent?o algo muito maior estava em movimento.

  Mesmo assim, respirou fundo.

  — Muito bem — disse ele. — A magia n?o nasce da for?a... nasce da essência. Cada um de vocês carrega algo único. N?o tentem copiar o outro. Sintam o que existe dentro de vocês.

  Pedro levantou a m?o na hora.

  — Se eu sentir fome, conta?

  Algumas crian?as riram.

  Gehard suspirou.

  — Concentre-se, Pedro.

  — T? concentrado. T? concentrado... na fome.

  Evan riu baixo. Era impossível n?o rir perto dele.

  Primeiras Manifesta??es

  Gehard pediu que fechassem os olhos.

  Silêncio.

  O vento soprou leve sobre o lago.

  Primeiro... nada aconteceu.

  Ent?o...

  O ch?o sob os pés de Pedro vibrou levemente.

  — Ei... — ele abriu um olho. — Isso é normal?

  Antes que alguém respondesse, uma raiz grossa rompeu a grama e se ergueu como uma serpente de madeira.

  — AAAAAH! — Pedro gritou, pulando pra trás — EU JURO QUE N?O FIZ NADA!

  A raiz continuou subindo... até formar um pequeno arco torto.

  Victor, que observava de bra?os cruzados, ergueu as sobrancelhas.

  — Interessante...

  Pedro olhou pra raiz improvisada — ...posso usar isso pra fugir de prova?

  Christopher, ainda de olhos fechados, estendeu a m?o.

  A água do lago come?ou a vibrar.

  Primeiro como ondas suaves...

  Depois um jato subiu descontrolado e veio em dire??o ao grupo.

  — CHRISTOPHER! — gritou Gehard.

  Tarde demais.

  O jato passou raspando... e encharcou Victor da cabe?a aos pés.

  As crian?as prenderam o riso.

  Victor passou a m?o no rosto molhado... respirou fundo...— ...continuem o treino.

  Pedro cochichou:

  — Ele é muito elegante pra alguém que acabou de virar peixe.

  Maísa tentou se concentrar...

  Uma rajada de vento explodiu ao redor dela, levantando grama, folhas e duas crian?as que estavam sentadas.

  — DESCULPA! DESCULPA!

  Luiz, empolgado, tentou ajudar...

  Criou um clar?o t?o forte que todos ficaram temporariamente cegos.

  — EU N?O T? VENDO NADA! — gritou Pedro.

  — EU T? VENDO DOBRO! — disse outro.

  Bethany, assustada, ergueu as m?os... e uma barreira dourada surgiu instintivamente, protegendo o grupo de novos impactos.

  Grace tentava se concentrar...

  Até que uma aura roxa suave vibrou ao redor dela — distorcendo levemente o ar.

  Gehard percebeu.

  Aquilo... era diferente.

  Evan olhava as próprias m?os, hesitante.

  — Eu n?o sei como fazer...

  Anne segurou o bra?o dele.

  — Só sente.

  Ele fechou os olhos.

  Por um segundo... nada.

  Ent?o pequenos raios azuis come?aram a estalar entre seus dedos — como mini tempestades presas na pele.

  Gehard prendeu a respira??o.

  A cor...

  A vibra??o...

  N?o era apenas arcana.

  Era divina.

  Evan se assustou e abriu as m?os de vez.

  Um relampago disparou pro céu — rasgando as nuvens por um instante.

  Todos ficaram em silêncio.

  Até Pedro quebrar:

  — ...ok, ele ganhou.

  Anne demonstrou familiaridade com o próprio poder.

  Ela conseguia manipular uma energia roxa que saia de suas m?os como chamas, era capaz de molda-las.

  Outro projétil de água veio.

  Victor desviou por centímetros.

  Uma pedra erguida por Pedro passou rolando atrás dele, ele deu dois passos pro lado sem nem olhar— Estou come?ando a achar que deveríamos treinar... um por vez.

  Gehard, que antes estava tenso... come?ou a rir.

  Depois de dias de medo, segredos e tens?o...

  Ver aquilo, trouxe algo que ele n?o sentia há muito tempo:

  Esperan?a.

  Alguns dias depois, evolu??o; Pedro erguendo árvores pequenas com precis?o, Christopher criando esferas d'água estáveis, Maísa planando alguns segundos, Beth ampliando as habilidades de prote??o e cura, Evan sustentando raios sem perder o controle, Anne criando barreiras cada vez mais densas, Grace conseguindo lan?ar pequenos projeteis e condensando a energia em pequenas esferas explosivas.

  Os treinos avan?avam, o domínio crescia e os efeitos come?aram a aparecer na comunidade; As colheitas triplicaram, árvores frutificavam mais rápido, irriga??es eram perfeitas, o solo parecia mais fértil.

  Nem tudo era harmonia

  Pedro implicava com Ruth.

  — Qual é, você n?o tem nem um poderzinho? Nem pra acender vela?

  — Pedro! — Beth repreendia.

  — T? brincando!

  Ele realmente estava — mas às vezes passava do ponto.

  Anne e Grace se aproximaram rápido.

  Pedro e Evan viraram dupla inseparável.

  Christopher, por outro lado... mantinha distancia.

  Luiz percebeu e se aproximou dele.

  A varanda do alojamento estava iluminada apenas por luminárias solares presas às colunas de madeira. O lago refletia a lua gélida, e o vento noturno trazia um frio leve... mas n?o era só o clima que arrepiava.

  As crian?as estavam sentadas em roda.

  Cansadas do treino.

  Mas inquietas demais pra dormir.

  Pedro foi o primeiro a falar, deitado de barriga pra cima.

  — Vocês também t?o se sentindo... estranhos?

  — Estranho como? — perguntou Beth.

  — Tipo... elétrico por dentro. Como se eu tivesse tomado dez litros de café.

  Christopher respondeu baixo:

  — Eu sinto como se tivesse água correndo no meu bra?o... mesmo quando n?o t? usando poder.

  Maísa abra?ou os joelhos.

  — Eu sinto o vento antes dele chegar... às vezes eu sei que vai ventar.

  Grace demorou um pouco pra falar.

  — Eu escuto um som... quando uso magia. N?o é barulho... é tipo... um canto.

  Anne virou pra ela, curiosa.

  — Eu também sinto isso.

  As duas trocaram um olhar silencioso — aquela conex?o estranha que só elas pareciam ter.

  Luiz olhou pras próprias m?os.

  — Quando eu fico nervoso... elas brilham sozinhas. Eu tenho medo de machucar alguém sem querer.

  Beth colocou a m?o no ombro dele

  — Você n?o vai.

  Pedro quebrou o clima, claro

  — Se machucar, mira no Christopher. Ele já molhou o Dellamuta mesmo.

  — Eu pedi desculpa! — retrucou Christopher.

  Alguns riram.

  Mas o riso morreu rápido.

  Porque a verdade era uma só:

  Todos estavam mudando.

  Pouco depois, já afastados do grupo, Luiz se aproximou.

  Christopher estava sentado perto do lago, jogando pedrinhas na água.

  — Você tá bravo com o Pedro, né?

  Christopher demorou pra responder.

  — N?o é raiva... — disse. — é só...

  Ele suspirou.

  — O Natan... meu irm?o... ele era mais velho que eu dois minutos só... mas agia como se fosse anos.

  Luiz sentou ao lado dele, em silêncio.

  — Ele era o corajoso. Eu era o que tinha medo de tudo.

  Um sorriso triste surgiu.

  — Quando a gente era pequeno, eu caí no lago da outra comunidade... eu n?o sei nadar... ele pulou sem pensar. Quase morreu afogado junto comigo... mas me puxou.

  — Ele sempre fazia isso. Sempre ficava na frente.

  Christopher apertou a pedra na m?o.

  — No dia da explos?o... ele ia sentar perto da janela... mas o Pedro ficou zoando, falando que o lugar tinha vis?o melhor... e sentou lá

  Silêncio pesado.

  — Se o Natan tivesse sentado ali... — ele engoliu seco — talvez ele estaria aqui agora, teria poderes também. Porque ele sempre dava um jeito de me proteger.

  Luiz n?o tentou responder.

  Só ficou ali.

  às vezes, o luto precisa só de testemunha.

  Christopher completou, mais baixo:

  — Eu sei que n?o foi culpa do Pedro... mas quando eu olho pra ele rindo... parece errado.

  Quando voltaram, o clima ainda estava introspectivo.

  Foi ent?o que Evan falou do sonho.

  — Eu t? tendo um sonho... quase toda noite.

  Todos olharam pra ele.

  — Eu t? andando... num lugar escuro, parece uma floresta sombria de galhos secos. A frente tem um precipício. Uma beira íngreme. Um raio ilumina a escurid?o e dois olhos azuis aparecem olhando pra mim num relampago... e ent?o de novo... o raio cai novamente e atinge a beira íngreme, só que eu t? nela... e eu despenco na escurid?o.

  Silêncio pesado.

  Pedro quebrou:

  — Pelo menos você tem sonho cinematográfico. Eu só sonho que t? pelado na aula.

  Ninguém riu dessa vez.

  O clima continuou tenso.

  Porque, no fundo...

  Todos sentiam algo parecido, um chamado, uma sombra. Algo que ainda n?o tinha nome.

  Na manh? seguinte, o barulho dos veículos quebrou a rotina da comunidade.

  Motores pesados, pneus grossos e equipamentos metálicos.

  Nada ali combinava com o mundo reconstruído que eles viviam.

  Victor caminhou até a entrada principal, acompanhado de dois guardas comunitários.

  O homem que liderava o grupo desceu do veículo central.

  Uniforme cinza escuro.

  Postura rígida.

  Olhar treinado demais pra ser só "prote??o".

  Ele mostrou um emblema metálico.

  — Comandante Raul Ferraz. Governo de Prote??o Territorial.

  Victor manteve o tom neutro.

  — N?o recebemos aviso de visita.

  — N?o foi uma visita programada.

  O comandante abriu um tablet projetor holográfico, tecnologia rara naquele mundo.

  Um mapa da regi?o surgiu... com um ponto pulsando sobre a comunidade.

  — Detectamos picos de energia an?mala aqui... há dias.

  Dellamuta cruzou os bra?os.

  — Energia?

  — Descargas eletromagnéticas. Ondas gravitacionais leves. Altera??es atmosféricas localizadas.

  Ele olhou direto nos olhos de Victor.

  — Coisas que n?o acontecem... naturalmente.

  — Somos uma comunidade agrícola — respondeu Dellamuta. — O máximo de energia que produzimos é solar e hidráulica.

  O comandante n?o se convenceu.

  — Ent?o n?o vai se importar com uma inspe??o.

  N?o era um pedido... Victor deu um meio sorriso político.

  — Me importo com qualquer coisa que assuste meu povo.

  — Se n?o for nada... iremos embora rápido. Mas se for algo... perigoso... precisamos conter.

  A palavra ficou no ar.

  Victor percebeu na hora:

  Eles n?o estavam ali pra ajudar.

  — Muito bem — disse ele, por fim. — Mas eu acompanho cada passo.

  O comandante assentiu.

  — N?o esperávamos menos... senhor Dellamuta.

  Ao longe, no gramad?o...

  Um raio azul subiu ao céu por acidente.

  Os agentes olharam.

  Victor fechou a express?o.

  Agora... n?o havia mais como esconder.

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