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Drax acordou com um sobressalto, a respira??o pesada e a vis?o emba?ada. Tudo girava. Um zumbido leve vibrava em seus ouvidos, como se seu próprio cérebro tentasse reiniciar. Ele piscou várias vezes, mas a escurid?o ao redor n?o ajudava em nada.
Tentou se mover, mas logo percebeu que um de seus bra?os estava amarrado a uma estrutura metálica. O outro, o bra?o robótico, simplesmente... n?o estava mais lá. O ombro exposto mostrava fios soltos e conex?es rompidas, com pequenas descargas elétricas ainda crepitando. Um leve trimilique sacudiu sua cabe?a, e uma faísca saiu próximo à têmpora. Ele balan?ou o rosto com for?a, e o sistema interno se estabilizou.
Com a vis?o aos poucos se ajustando, Drax conseguiu observar melhor o ambiente ao seu redor. Estava em uma sala vazia — fria, metálica, e mal iluminada por lampadas bruxuleantes no teto. As paredes estavam cobertas por símbolos estranhos, uma mistura de circuitos desenhados à m?o e marcas esculpidas como se fossem feitas por alguém obcecado por simetria. O ar tinha cheiro de óleo velho e eletricidade estática.
Ele tentou se lembrar... o que aconteceu? A última coisa que via era Koran à sua frente. E depois? Uma névoa. Um ataque repentino? Uma emboscada?
Foi ent?o que, em um dos cantos daquela sala, alguém o observava, sentado numa cadeira. A figura se levantou.
— Acordou, docinho?
O som soou infantil, mas carregava algo artificial, desconfortável.
Das sombras, surgiu uma figura pequena. Parecia uma garota... ou talvez um garoto. Sua estatura era baixa demais para um adulto. O rosto era parcialmente coberto por uma máscara translúcida, revelando apenas um olho ambar, brilhante como fogo artificial prestes a explodir.
— O que foi, meu bem? N?o reconhece mais sua amada?
Drax franziu o cenho, tentando ajustar a memória embaralhada. A voz... aquele jeito...
— Soffy?
A máscara se dissolveu em névoa, revelando um sorriso doce demais para ser inocente.
— Olá, Drax...
Naquele instante, sua mente foi tomada por memórias adormecidas.
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Chovia fraco no terra?o de um prédio abandonado. Drax, ainda jovem, estava sentado ao lado de uma figura pequena que observava em silêncio o que restava da paisagem à sua frente: Soffy. Seus olhos brilhavam com curiosidade, e sua risada ecoava como uma melodia improvável naquele mundo cinzento.
— Um dia, vamos voar juntos, bem longe de tudo isso, Drax — disse ela, olhando para o céu nublado.
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— Você acha mesmo que a gente vai conseguir escapar?
— Eu n?o quero escapar — respondeu Soffy, sorrindo de leve. — Eu quero voar... pra te proteger.
Drax a encarou, confuso.
— Você n?o é um erro, Soffy...
Ele se aproximou um pouco mais, tocando suavemente o rosto dela com uma das m?os.
— Você é especial. Especial pra mim.
Soffy sorriu. E por um breve instante, o mundo pareceu ter cor.
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Drax afastou o rosto ao vê-la se aproximar. O calor daquela lembran?a era doloroso demais.
Soffy cruzou os bra?os, encarando-o bem de perto.
— Eu esperei muito tempo por esse momento, você acredita? Quando eu soube que três sentinelas conseguiram entrar aqui na cidade, eu sabia que isso era coisa sua.
— Três sentinelas?
— N?o se fa?a de bobinho, Drax. Antes de você aparecer aqui, eu recebi uma mensagem de que um outro sentinela havia chegado. Infelizmente, eu n?o pude capturá-lo t?o facilmente quanto você.
Ela se abaixa, sussurrando perto do rosto dele.
— Foi fácil invadir o seu sistema e rastrear sua localiza??o. Você nunca mudou sua senha, seu tonto.
A lembran?a do humano cruzou sua mente como um estalo tardio. O maxilar se travou.
— Onde está Koran?! — ele gritou, a voz cheia de raiva e desespero contido.
— Calma, docinho. Ele está seguro... por enquanto.
— Me solta, sua—
Ela enfiou a m?o nos fios expostos de seu ombro, girando-os cruelmente. Seu corpo estremeceu com as falhas do sistema, faíscas voando em todas as dire??es.
— “Sua” o quê, hein? N?o escutei direito.
— Pa-para! — Drax gritou, e um impulso de energia fez a m?o dela queimar.
Ela recuou, observando a pele derretida se desprender... e ent?o regenerar como se trocasse de invólucro. A verdade era revelada — ela era uma androide.
— Ah, o seu amor ainda é t?o... quente — disse, tocando o queixo de Drax com carinho perturbador.
Ele desviou o rosto, enojado.
— Seu outro amiguinho conseguiu escapar… por enquanto.
Ela sorriu.
— Eu vou achá-lo.
Ela segurou o queixo de Drax com for?a.
— Até mesmo... se eu tiver que torturar o Koran na sua frente, pode ser?
— Espero que você tenha entendido — murmurou, passando os dedos pela bochecha dele, de forma quase carinhosa. — Eu sei que você ainda me ama, meu amor.
Drax cerrava os olhos, o ódio pulsando como um tambor surdo em sua cabe?a.
— Você vai me pagar...
Soffy riu, seu sorriso torto e perturbador iluminado pelas luzes intermitentes.
— é o que vamos ver...
Ela se virou, os passos ecoando metálicos enquanto desaparecia na escurid?o da sala.
Drax fechou os olhos por um instante. Quando os abriu novamente, a raiva n?o havia diminuído — havia se concentrado.
A luz fraca refletiu em seus olhos como brasas prestes a incendiar o mundo.
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