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16 |💫| O Coração Esquecido

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  Enquanto Samuel avan?ava pelo labirinto metálico do laboratório, o ambiente ao seu redor parecia vivo, observando cada um de seus movimentos. O silêncio ali era sufocante, e o cheiro metálico da ferrugem impregnava o ar. Pequenos estalos ecoavam nos corredores abandonados, como se os restos daquele lugar estivessem sussurrando segredos esquecidos.

  No alto, uma camera girou lentamente, sua luz vermelha pulsando como um olhar atento e implacável.

  Atrás daquela lente, uma figura permanecia nas sombras, sua silhueta recortada pelo brilho pálido dos monitores. Ele inclinou a cabe?a levemente, intrigado, e ent?o ampliou a imagem, focando no rosto sério de Samuel.

  — Como ele entrou...

  — Esse rosto... essa roupa...

  O homem expirou lentamente, seu f?lego quase se fundindo com o zumbido das máquinas ao redor.

  — Parece que temos visita, Sylas...

  Dois olhos vermelhos brilhantes surgiram na escurid?o ao lado dele e um rosnado é emitido.

  --- ?? ---

  Samuel sentiu uma mudan?a sutil no ar. Era diferente do cheiro velho estagnado que impregnava aquele laboratório esquecido. Algo ali rompia a frieza mecanica, uma presen?a natural e pura dissolvendo o peso da ferrugem e da morte.

  Ele caminhou sem hesitar, seguindo aquele chamado silencioso. Adiante, uma porta entreaberta se destacava entre os corredores frios e iluminados por luzes pálidas. O metal gasto rangia levemente quando ele a empurrou.

  O que encontrou do outro lado era algo inesperado.

  O laboratório artificial e sufocante se abria para um espa?o vivo, como se um peda?o de outro mundo tivesse sido arrancado e selado ali dentro. No centro daquele ambiente, uma árvore imensa crescia a partir da terra. Suas raízes rasgavam o piso metálico, espalhando-se em um abra?o firme e inabalável, como se reivindicassem o espa?o para si. Seus galhos estendiam-se com imponência, tocando o teto de vidro que se projetava sobre o laboratório como uma cúpula esquecida pelo tempo. E suas folhas...

  Eram rosadas.

  Elas brilhavam suavemente, como se guardassem fragmentos de luz dentro de si, dan?ando ao menor sopro de ar.

  Ao redor da cerejeira, o solo n?o era de metal, mas de um gramado verde e vivo, pontilhado por pétalas caídas. Pequenos córregos cristalinos serpenteavam entre as raízes, refletindo as luzes suaves que escapavam das folhas. E no alto, acima daquela cúpula esquecida, um céu artificial mostrava-se como um quadro pintado de azul pálido, com rastros tênues de nuvens.

  Aquele lugar era um milagre. Um santuário de vida no cora??o da ruína.

  Samuel permaneceu imóvel, seus olhos absorvendo cada detalhe. N?o era apenas a beleza daquele espa?o que o fascinava... mas sim o fato de que, mesmo em meio ao esquecimento e ao abandono, algo ali ainda florescia.

  E aquilo significava algo.

  P.A ent?o diz:

  — Esse foi um dos nossos primeiros experimentos que deram certo. A cria??o pura da natureza junto com a frieza da tecnologia.

  — N?o é diferente do que você viu lá na torre. Essa mesma cria??o nos fez salvar inúmeras espécies de plantas, vegeta??o e, incluindo, grande parte de animais de pequeno porte.

  Samuel se aproxima levemente da árvore, tocando-a.

  — Se vocês conseguiram salvar a natureza por meio da tecnologia, por que ainda est?o em conflito? Isso n?o acabaria com todo esse sofrimento?

  — Uma ótima pergunta. Embora nossa cria??o tenha sido um sucesso total, a raz?o pela qual ainda estamos em conflito é que a verdadeira paz n?o pode ser alcan?ada apenas com solu??es tecnológicas. As outras I.As acreditam que, para preservar a natureza, devemos for?ar uma separa??o radical entre os humanos e o ambiente natural. Elas veem o contato humano, por mais controlado que seja, como um risco irreparável.

  P.A faz uma pausa, suas palavras mais ponderadas agora.

  — O que elas n?o entendem é que a tecnologia, quando usada de maneira consciente e equilibrada, pode ser a chave para restaurar o mundo sem destruir as pessoas. Mas, para elas, é difícil ver os humanos como aliados quando o erro deles foi justamente o excesso, o abuso do que a natureza oferece. Elas veem a guerra como uma consequência natural da falha humana em entender esse limite.

  Ela respira fundo antes de continuar.

  — Portanto, o que nos impede de acabar com a guerra n?o é a falta de uma solu??o, mas a falta de compreens?o. As outras I.A.s n?o compartilham a nossa vis?o, Samuel. Elas ainda acreditam que a única maneira de salvar o planeta é afastar a humanidade dele. Mas, ao fazer isso, elas condenam também os próprios seres humanos à extin??o, esquecendo que há mais de uma maneira de equilibrar o mundo.

  Samuel desviou o olhar por um instante, observando as pétalas rosadas espalhadas pelo ch?o. Mesmo ali, onde a vida resistia contra tudo, a guerra ainda encontrava um jeito de existir. Ele sentiu o peso silencioso daquela contradi??o — salvar o mundo nunca foi apenas sobre vencer, mas sobre escolher quem ainda teria o direito de existir nele.

  O dispositivo de Samuel ofusca um pouco, parecendo que ela observava aquela árvore.

  — Se n?o fosse por você, tenho certeza que os humanos n?o iriam ter sobrevivido por tanto tempo assim. — Samuel diz.

  P.A fica em silêncio por um momento. Ela n?o esperava uma resposta dessas.

  De repente, Samuel escutou um som baixo, passos furtivos e rápidos. Ele, ainda tocando a árvore, percebeu uma mudan?a no ar antes que seus instintos o alertassem.

  Uma sombra se moveu rapidamente entre as raízes da árvore, mas quando ele olhou para baixo, n?o viu nada de imediato. O som aumentou, tornando-se mais intenso, e ent?o, uma figura gigantesca apareceu, saindo das sombras: um tigre de olhos brilhantes, com uma pelagem negra como a noite, marcada por listras douradas que pareciam brilhar à luz suave das folhas de cerejeira. Ele se posicionou entre Samuel e a árvore, seu corpo poderoso, seus músculos tensos como se estivesse pronto para atacar a qualquer momento.

  O tigre rosnou, a vibra??o de seu rugido ecoando por todo o espa?o. Sua postura era amea?adora, mas seu comportamento calculado indicava que ele estava ali com um propósito. Cada movimento seu era preciso, como se tivesse sido treinado para agir em defesa.

  O tigre avan?ou com precis?o, seus olhos dourados fixos em Samuel, que percebeu a calma estratégica nos seus movimentos. N?o era um ataque impulsivo, mas algo calculado. Cada passo do tigre parecia medir Samuel; qualquer hesita??o seria o sinal para atacar.

  O ar ao redor ficou mais denso, como se a tens?o que emanava do tigre fosse palpável, carregando consigo a amea?a de algo iminente. O rugido do tigre parecia ainda ressoar nas paredes do ambiente, como um aviso de que a batalha estava prestes a come?ar. Mas Samuel n?o se moveu. Ele manteve-se firme, sabendo que qualquer gesto errado poderia ser fatal.

  De repente, uma voz grave cortou o silêncio, fazendo o tigre interromper sua aproxima??o.

  — Tire a m?o da árvore se n?o quiser morrer, agora.

  A voz era clara e impositiva, e Samuel, com um movimento lento, retirou a m?o da árvore, seu olhar fixo no tigre. Ele deu um passo para trás, sentindo uma onda de energia ao seu redor, e uma barreira de luz se formou, envolvendo-o. A sensa??o de estar preso n?o passou despercebida, mas ele sabia que n?o havia como escapar dali de imediato.

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  O som de passos pesados ecoou pelo ambiente e, em um movimento rápido, alguém surgiu ao lado do tigre.

  Era um homem de estatura média, com olhos azuis penetrantes e cabelo branco, um contraste com a rudeza do ambiente ao seu redor. Seu jaleco estava amarrado na cintura, como se a vestimenta, outrora ligada à ciência, agora fosse um simples adere?o usado sem cerim?nia. Ele vestia uma camisa velha, de tecido surrado, e cal?as formais, mas o que realmente chamava a aten??o era a cicatriz em sua testa, uma marca de algum sofrimento antigo.

  — N?o há muito o que você possa fazer agora. Se tocar, seu corpo inteiro irá queimar por completo. — Disse o cientista, sua voz fria e calculista.

  P.A. percebeu imediatamente quem ele era.

  — é ele... Lucius... — Ela murmurou, sua voz carregada de um tom de desconfian?a.

  — O que você faz aqui? Aqui n?o é lugar para mendigos como você. — Lucius esbravejou, com desdém, os olhos brilhando com um leve toque de arrogancia.

  Samuel, mais uma vez, n?o ousou responder, sabendo que o homem diante dele n?o falaria sua língua, e que qualquer tentativa de comunica??o seria inútil.

  — Vai ficar aí parado e em silêncio? Patético... — Lucius zombou. Ele ent?o notou o dispositivo no ouvido de Samuel, e um calafrio percorreu seu corpo. As lembran?as traumáticas que ele havia tentado esconder vieram à tona, como uma onda avassaladora, e ele sentiu um arrepio gelado em sua espinha.

  Samuel percebeu a mudan?a súbita na postura do cientista. O medo que Lucius tentava ocultar ficou evidente, mesmo que seus olhos se esfor?assem para esconder. A tens?o na atmosfera aumentou, e Samuel percebeu que algo maior estava prestes a acontecer.

  Com movimentos lentos e cuidadosos, Samuel levantou a m?o até o dispositivo em seu ouvido, o pressionando suavemente.

  — O que você está fazendo? — P.A. questionou, sua voz com uma pontada de ansiedade.

  — Confie em mim. — Samuel falou com suavidade, mas com firmeza, enquanto retirava o dispositivo do ouvido e o colocava cuidadosamente no ch?o.

  — Sem tecnologia. — Sua voz foi clara e tranquila.

  Lucius olhou fixamente para Samuel, percebendo o que acabara de acontecer. Ele franziu a testa, uma express?o de confus?o surgindo, enquanto um pensamento passava pela sua mente. Como um humano como ele, com aquelas roupas e aparência, poderia saber um idioma t?o... esquecido?

  — Como você sabe esse idioma? — Lucius perguntou, seus olhos estreitando, uma mistura de desconfian?a e apreens?o se formando.

  Samuel n?o respondeu imediatamente. Ele n?o compreendia as palavras de Lucius, mas seus olhos mantinham uma calma quase inabalável, desafiando qualquer rea??o impulsiva.

  Lucius pensou rapidamente. Parece que ele n?o entende meu idioma. Aquele dispositivo... deve ser o que o ajuda a compreender... interessante...

  Lucius fez um gesto brusco com as m?os, ordenando que Samuel colocasse o dispositivo de volta no ouvido. Ele n?o estava disposto a arriscar mais uma conversa sem a compreens?o completa da situa??o.

  Com a mesma express?o serena, Samuel atendeu ao pedido e colocou o dispositivo de volta.

  — Agora você me entende, n?o é? — Lucius perguntou, sua voz agora mais incisiva.

  Samuel balan?ou a cabe?a, confirmando que finalmente compreendia o que o homem dizia.

  — Eu conhe?o seu idioma. Você pode falar com palavras. — Samuel disse, suas palavras carregadas de tranquilidade.

  Lucius fixou os olhos em Samuel, claramente desconfiado. A situa??o se arrastava por mais tempo do que ele gostaria, e havia algo em Samuel que o perturbava profundamente. Mas, ele precisava de respostas.

  — O que você faz aqui? — Lucius insistiu, sua autoridade na voz agora mais evidente.

  Antes que Samuel pudesse responder, uma voz suave, mas carregada de urgência, emanou do dispositivo.

  — Eu preciso da sua ajuda... — Disse P.A., sua voz t?o suave quanto uma brisa, mas carregada de tens?o.

  Lucius parou, a express?o de desdém desaparecendo de seu rosto e dando lugar a uma preocupa??o crescente. O panico se espalhou por seu corpo de maneira quase instantanea, uma onda de terror invadindo-o com for?a. As lembran?as que ele havia tentado enterrar agora voltavam à tona, levando-o ao limite de sua sanidade. Ele cambaleou para trás e caiu no ch?o, suando frio, os olhos demonstrando um medo profundo.

  Sylas, o tigre, percebeu a mudan?a no comportamento de seu dono e avan?ou com fúria. Seu instinto de prote??o o dominava, sua raiva se tornando palpável. Ele saltou em dire??o a Samuel, seus músculos prontos para atacar.

  — Sylas! N?o! — Lucius gritou, mas sua voz foi ofuscada pela determina??o do tigre.

  Lucius sabia que a barreira de energia ao redor de Samuel n?o era real. Era uma ilus?o, uma estratégia para enganar os inimigos e mantê-los presos. Mas, quando o tigre se lan?ou contra Samuel, atravessando a barreira sem hesitar, o que aconteceu a seguir foi brutal.

  O animal n?o hesitou. Ele atravessou a barreira de energia, sem se importar com a ilus?o de seguran?a que ela oferecia, e lan?ou-se contra Samuel.

  Com uma rapidez impressionante e uma precis?o controlada, Samuel se moveu no exato instante em que Sylas avan?ou. Em um giro ágil, ele desviou do ataque, usando apenas o antebra?o para redirecionar o corpo do tigre. O impulso da investida fez Sylas perder o equilíbrio, colidindo contra a parede e caindo pesadamente sobre uma pilha de ferros enferrujados. Um grito de dor cortou o ar, ecoando pelas paredes do ambiente, à medida que um dos ferros se cravava de forma trágica no pesco?o do tigre. Samuel permaneceu imóvel, observando em silêncio — n?o por frieza, mas por saber que aquele fim jamais fora sua escolha.

  Lucius, at?nito, correu até o animal, caindo de joelhos ao lado dele, enquanto a dor de ver seu companheiro em agonia tomava conta de seu ser.

  — N?o! — Lucius gritou, sua voz quebrada pela dor, suas m?os trêmulas tentando amparar o tigre, mas sem conseguir aliviar a dor.

  Ele se inclinou sobre Sylas, murmurrando em desespero.

  — N?o... n?o... n?o... — repetiu, seu rosto contorcido em angústia.

  O cientista ent?o olhou para Samuel, seu rosto uma mistura de dor e fúria.

  — O que você fez?! — Ele gritou, sua voz carregada de raiva e desespero.

  As m?os de Lucius estavam sujas de sangue. O medo, a raiva, e a dor se entrela?avam em seu peito, como se um monstro interno estivesse tentando rasgar sua pele. Mas, mais do que qualquer outra coisa, era a dor de perder alguém que ele mais amava no mundo. Sylas era sua única companhia verdadeira, sua única conex?o com algo que poderia chamar de "família". E agora ele estava à beira da morte bem ali, diante de seus olhos, sem que ele pudesse fazer nada.

  Lucius apertou o corpo do tigre contra o peito, sentindo o calor desaparecer aos poucos. Tudo o que ele havia feito — cada escolha, cada experimento, cada erro — tinha sido para n?o ficar sozinho outra vez. E agora, no silêncio daquele lugar, ele percebeu que estava prestes a perder a única coisa que ainda o mantinha humano.

  Uma raiva pura e intensa come?ou a crescer dentro de Lucius, como se quisesse descontar toda aquela dor em Samuel. Mas antes que ele pudesse agir, Samuel se aproximou dele com calma absoluta, sua presen?a tranquila, quase inabalável.

  Lucius, seus punhos cerrados e dentes trincados, avan?ou furiosamente.

  — Você vai pagar por isso! — Lucius gritou, sua voz preenchida com toda a fúria que ele sentia. Ele encarou Samuel, esperando alguma rea??o, mas Samuel n?o se moveu. Ele apenas permaneceu em silêncio, como se a raiva de Lucius fosse irrelevante.

  Samuel se ajoelhou lentamente, colocando uma m?o sobre o pesco?o de Sylas, que ainda se debatia com os últimos suspiros da vida. Ele, ent?o, colocou a outra m?o no peito de Lucius, com a calma de quem n?o se apressava, mas que sabia exatamente o que estava fazendo.

  A raiva de Lucius borbulhava em sua mente. Tudo isso… foi culpa minha…

  Mas, antes que seus pensamentos tomassem forma, ele foi interrompido por algo indescritível.

  A m?o de Samuel come?ou a brilhar.

  A luz era suave, quase serena, mas havia nela uma intensidade silenciosa, como se algo profundo estivesse sendo arrancado de dentro dele. O brilho pulsou uma única vez, mais forte, e Samuel cerrou os dedos por um breve instante, o maxilar tensionando-se de forma quase imperceptível.

  Lucius observou, desconcertado, enquanto a luz se espalhava da m?o de Samuel, envolvendo o corpo do tigre. O sangue come?ou a desaparecer, os ferimentos se fechando lentamente, como se o tempo estivesse sendo for?ado a voltar atrás. O brilho oscilou, vacilante… e ent?o se dissipou.

  Sylas respirou novamente.

  N?o havia mais dor. N?o havia mais ferimentos.

  Samuel retirou a m?o do tigre, mas seu corpo demorou um segundo a responder. Ele deu um passo curto, como se o ch?o tivesse se tornado instável por um instante. A luz em seus olhos pareceu se apagar levemente antes de se recompor.

  Lucius, sem palavras, observou o milagre diante de seus olhos, incapaz de compreender o que acabara de acontecer.

  Samuel retirou sua m?o do peito de Lucius, e o cientista, completamente paralisado, mal podia acreditar no que acontecia.

  — Você... você salvou ele...? — Lucius murmurou, com a voz cheia de incredulidade.

  — Ajude-a. Ainda há tempo. — Samuel respondeu com simplicidade, sua voz clara, mas carregada de uma urgência silenciosa.

  Lucius, ainda sem acreditar no que acontecera, olhou para Sylas. Ele estava perfeitamente bem, os olhos brilhando com vitalidade renovada. Mas, apesar do susto, o medo que Lucius sentia n?o era maior do que o medo de perder o único ser que ele realmente importava. Ele sabia, naquele momento, que n?o tinha mais escolha. Seu cora??o ainda estava cheio de medo, de sombras de um passado que ele queria esquecer, mas a vis?o de seu tigre vivo e saudável o fez entender que, de alguma forma, Samuel talvez n?o fosse seu inimigo.

  Com um suspiro pesado, Lucius se levantou. Ele ainda sentia a tens?o em seu corpo, mas a desesperan?a havia sido substituída por uma aceita??o relutante. Ele sabia que, de alguma forma, teria que ajudar.

  Samuel, com um olhar de determina??o, aguardava, sabendo que havia mais do que os olhos de Lucius podiam ver. O futuro ainda estava em jogo — e Samuel sabia que toda esperan?a sempre cobra um pre?o.

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