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Pouco tempo se passou, e ent?o um novo portal surgiu diante de Samuel.
Mas algo estava errado... algo que Samuel n?o podia ignorar.
Diferente dos portais anteriores, este n?o irradiava luz nem seguran?a. Sua borda tremulava como uma sombra viva, e no centro, o vazio se contorcia, assustador, como se estivesse à beira de se desfazer. Um frio percorreu o ar, e Samuel sentiu — aquele portal foi prejudicado.
Era uma passagem frágil, um fio de existência prestes a se apagar. Ele estava hospedado, observando cada detalhe, cada oscila??o da escurid?o que tentava consumi-lo. Mas antes que o portal desmoronasse por completo, a luz surgiu ao seu redor, envolvendo-o em um brilho sereno, trazendo equilíbrio à instabilidade.
— N?o se asssuste — ecoou a voz. — O mundo para onde esse portal leva n?o é como os anteriores. Ele é uma das principais fontes do esquecimento. Tudo lá está mergulhado nas sombras, prestes a desmoronar no vazio absoluto.
Samuel n?o desviou o olhar, seus olhos imersos na escurid?o do portal. Sua voz saiu firme, sem hesita??o.
— O que há de t?o ruim nesse mundo?
A luz pulsou, como se a resposta trouxesse um peso impossível de ser ignorado.
—Morte. Dor. Solid?o. Sofrimento. Tudo o que há de pior, tudo o que derrota almas. N?o há esperan?a nesse lugar. A última chama que existia... se apagou há muito tempo.
Samuel permanece em silêncio por um instante, assimilando cada palavra. Ent?o, murmurou:
— Ent?o esse mundo é uma das principais fontes do poder do esquecimento?
— Sim.
Samuel respirou fundo, fechando os olhos por um breve momento, sentindo o peso da decis?o que se aproximava. O caminho que havia trilhado até ali n?o fora fácil, mas agora ele estava diante de algo maior. Aquela miss?o n?o seria como as outras. N?o ninguém esperava por ele, ninguém que ainda tivesse for?as para lutar.
Mas se n?o havia mais esperan?a naquele mundo... ent?o ele a traria de volta.
— Parece que esse n?o vai ser um trabalho t?o fácil, n?o é?
A luzgeneu certa.
— N?o.
Samuel abriu os olhos. Seu olhar era firme, inabalável.
— Eu vou acabar com o sofrimento. Vou extinguir o esquecimento. Custe o que custar.
A luz permaneceu em silêncio por um instante, como se aceitasse a resolu??o inquebrantável em suas palavras. Ent?o, respondi:
— Que assim seja.
Samuel ent?o pegou seus equipamentos, ajustando sua escopeta em suas m?os e certificando-se de que estava pronto. Ent?o, entretanto, o olhar e encarou o portal sombrio à sua frente.
Um mundo condenado o esperado do outro lado. Um mundo esquecido.
Ele deu um passo à frente, mas antes de atravessar, murmurou para si mesmo:
— Esperan?a.
E ent?o, desapareceu nas sombras daquele portal.
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Após sair pelo portal, o mesmo desapareceu rapidamente, como se nunca tivesse existido.
Samuel deu o primeiro passo naquele novo mundo e, imediatamente, foi tomado pela cena devastadora à sua volta. A vis?o era dolorosa. Tudo ao seu redor estava destruído, em ruínas. Restos de corpos e ossos espalhados pelo ch?o, misturados com peda?os de máquinas. O óleo se misturava com as po?as de sangue, criando uma vis?o grotesca.
O fogo ainda queimava em alguns pontos, mas a luz... parecia ter se apagado, deixando o mundo imerso em um manto de sombras.
Samuel observava aquilo em silêncio, sentindo uma dor profunda ao ver tanta destrui??o. Ele n?o podia deixar de se lembrar de seu próprio mundo, das cicatrizes deixadas pelas a??es que tomaram seu curso. "Parece que esse mundo também foi destruído pelas suas próprias a??es."
Com passos firmes, Samuel come?ou a caminhar pelo caos. Ele se encontrava em uma cidade praticamente deserta, seus prédios agora apenas sombras do que haviam sido. No céu, seu olhar foi atraído por máquinas voadoras. Elas tinham a forma de baleias gigantescas, deslizando sem um piloto visível, como se fossem controladas por algo além da compreens?o de Samuel. Mas o que poderia ser?
De repente, o ch?o tremeu violentamente. Uma nave disparou a toda velocidade, cortando o espa?o entre os edifícios quebrados. A onda de choque foi t?o intensa que fez um prédio ao lado de Samuel, já à beira do colapso, come?ar a desabar.
Os escombros vieram abaixo com um estrondo ensurdecedor, mas Samuel ergueu rapidamente um escudo de energia brilhante ao seu redor, impedindo que os destro?os o atingissem. Quando a poeira come?ou a baixar, um som cortante ecoou pelo ar — uma sirene mecanica, grave e amea?adora.
Samuel sentiu algo se aproximando. Instintivamente, recuou para entre os destro?os, ocultando-se na escurid?o das ruínas.
Uma das máquinas voadoras desceu suavemente, pousando sobre os escombros. Seu metal reluzia sob o brilho pálido das chamas ao redor. Samuel, em silêncio absoluto, manteve os olhos fixos naquilo.
De repente, uma luz azul se projetou do ventre da máquina, iluminando o ch?o. Fragmentos come?aram a se materializar naquela energia cintilante até que algo tomou forma diante dele.
Era um rob?.
Suas pernas dobradas lembravam as de um canguru, construídas para saltos ágeis e movimentos bruscos. No centro do peito, um pequeno núcleo pulsava em tons vermelhos e azuis, como se contivesse energia viva. Seu rosto... ou o que deveria ser um rosto... lembrava um cranio metálico, com olhos brilhando da mesma maneira que o núcleo.
O rob? ergueu uma das m?os, e um dispositivo se projetou de seu antebra?o. Uma luz vermelha cortou a escurid?o, oscilando em busca de algo. Um scanner.
Samuel se abaixou lentamente, prendendo a respira??o. Ele sabia que n?o poderia ser detectado.
O scanner percorreu os escombros até que, de repente, parou. O rob? inclinou levemente a cabe?a, como se tivesse encontrado algo de interesse. Sem hesita??o, caminhou com passos metálicos até um ponto específico entre as ruínas.
Samuel observou em silêncio enquanto a criatura mecanica retirava algo debaixo dos destro?os. Era um torso humano... ou o que restava dele. Sem um dos bra?os, sem vida, a cabe?a ainda presa ao corpo, pálida e gélida.
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Ent?o, sem qualquer hesita??o, a cabe?a do rob? se abriu. Um mecanismo interno girou e um triturador emergiu de seu cranio. Segurando o torso como se fosse nada além de um peda?o de lixo, ele levou a cabe?a humana até a lamina e a triturou em segundos.
O barulho foi seco, cruel.
Após concluir a tarefa, jogou o resto do corpo de lado, sem qualquer tra?o de remorso.
Samuel sentiu o peso daquele momento se prender em sua mente. Ele já tinha testemunhado inúmeras atrocidades, mas aquilo...
Aquilo era diferente.
Era um mundo sem esperan?a.
E ele acabara de entrar nele.
O rob? come?ou a caminhar de volta para o círculo de luz azul projetado pela nave, mas antes que pudesse retornar, um som estrondoso ecoou pelas ruínas.
De repente, um carro futurista e mecanizado surgiu a poucos metros dali, deslizando pelo solo destruído com uma velocidade impressionante. Sua estrutura metálica refletia as chamas ao redor, e seu motor emitia um rugido eletr?nico que parecia desafiar o próprio silêncio da destrui??o.
O rob? imediatamente girou a cabe?a em dire??o ao veículo, seus olhos brilhando com um tom amea?ador. Mas antes que pudesse reagir, alguém sobre o carro ergueu um lan?ador de mísseis e disparou.
O projétil cortou o ar em um rastro de fogo, indo direto na dire??o da máquina.
Mas, num movimento surreal, o rob? ergueu o bra?o e agarrou o míssil no meio do ar, como se fosse nada além de um simples objeto.
Houve um breve instante de silêncio, um silêncio mortal, e ent?o, a explos?o aconteceu.
O impacto foi devastador. O clar?o iluminou as ruínas como se o próprio inferno tivesse se aberto, lan?ando uma onda de choque brutal que ergueu poeira e destro?os em todas as dire??es.
Samuel abaixou-se rapidamente, protegendo o rosto enquanto fragmentos de metal voavam ao seu redor, cortando o ar com a violência de uma tempestade.
Mas em meio à fuma?a espessa da explos?o, algo se destacou.
A silhueta do rob? ainda estava ali.
Aos poucos, conforme a poeira assentava, sua forma metálica se revelou. Ele permanecia de pé. Intacto.
O ataque n?o havia causado quase nenhum dano.
Os olhos vermelhos da máquina brilharam intensamente, e num único movimento, ela avan?ou na dire??o do carro, seus passos esmagando os destro?os no caminho.
Mas antes que pudesse alcan?ar o veículo, uma onda de luz o atingiu em cheio, jogando-o para trás com for?a, como se tivesse sido atingido por um trov?o.
Quatro figuras emergiram do carro, suas silhuetas ocultas pela penumbra e pelas luzes piscantes da cidade devastada.
Eles seguravam armas tecnológicas, suas presen?as imponentes sugerindo que n?o eram meros sobreviventes, mas algo... mais. Algo letal.
Samuel observou a cena com aten??o, seus olhos se estreitando, tentando avaliar a situa??o.
Quem eram eles?
E, mais importante... estavam ali como aliados ou inimigos?
Sem dar tempo para mais dúvidas, o rob? contra-atacou novamente.
Seu bra?o direito se abriu em múltiplas placas de metal, revelando um mecanismo oculto. Em um instante, uma lamina negra emergiu de seu antebra?o, vibrando em uma frequência distorcida, como se pudesse cortar o próprio ar.
Com um movimento impossível de acompanhar a olho nu, o rob? girou sobre si mesmo e lan?ou a lamina como um bumerangue mortal.
O projétil atravessou a distancia entre ele e os quatro guerreiros com uma velocidade absurda.
Um deles, o mais alto do grupo, mal teve tempo de reagir antes de a lamina perfurar seu ombro, atravessando sua armadura tecnológica como se fosse papel.
Ele gritou, o som abafado pela for?a do impacto, e caiu para trás, segurando o ombro enquanto sangue escorria pelo metal de sua roupa.
Mas o ataque n?o terminou ali.
A lamina n?o caiu no ch?o.
O terceiro tentou atirar no rob?, mas antes que pudesse apertar o gatilho, a máquina avan?ou em um movimento brutal. Seu torso metálico se abriu como mandíbulas mecanicas, revelando uma série de laminas giratórias.
Antes que o sobrevivente pudesse reagir, o rob? o agarrou e o puxou para dentro de sua estrutura.
Houve um grito curto, abafado pelo som cortante das serras triturando carne e ossos.
Sangue escorreu pelas brechas da máquina, pingando no ch?o devastado.
O rob? permaneceu imóvel por um instante, como se estivesse absorvendo a cena. Seus olhos vermelhos brilhavam intensamente. Ele n?o ca?ava por necessidade. N?o era uma máquina de guerra comum.
Era algo pior.
Um predador absoluto.
E ele n?o terminaria ali.
Seus olhos voltaram-se para os três sobreviventes restantes, que engatilharam suas armas, mas hesitaram. Eles sabiam que n?o tinham chance contra aquela coisa.
O rob? avan?ou um passo, preparando-se para exterminá-los.
Mas ent?o...
Samuel se levantou.
De propósito, ele fez quest?o de pisar sobre um peda?o de metal, fazendo um barulho seco, mas intenso.
O rob? congelou. Sua cabe?a girou mecanicamente, identificando Samuel de imediato.
Ele analisou o novo alvo.
E ent?o, notou a luz.
As m?os de Samuel come?aram a brilhar com um tom dourado, um contraste absoluto contra aquele mundo mergulhado em trevas.
O brilho suave cortava a escurid?o como uma faísca no vazio. Pequeno, fraco... mas inegavelmente real.
O rob? reagiu imediatamente. Seu corpo tremeu, e suas luzes vermelhas piscavam descontroladamente. Seu sistema estava confuso.
Ent?o, algo inesperado aconteceu.
A cor de seus olhos mudou.
O vermelho desapareceu, substituído por um azul frio, quase... ansioso.
Os sobreviventes recuaram, sem entender. Mas Samuel compreendeu.
A esperan?a n?o existia naquele mundo.
A presen?a dela era uma anomalia.
E aquela máquina estava programada para eliminar anomalias.
Sem hesitar, o rob? ignorou completamente os outros e avan?ou para cima de Samuel.
Samuel n?o se moveu. Ele sabia que sua energia estava fraca ali. O brilho em sua m?o oscilou por um instante, menor do que deveria ser — n?o por medo, mas por desgaste. Mas ele n?o podia recuar.
A máquina ergueu seu bra?o, que se dividiu em laminas, prontas para dilacerá-lo.
No último segundo, Samuel ergueu a m?o brilhante e, com um estalo de luz, uma barreira dourada surgiu entre os dois.
O impacto foi brutal.
O rob? colidiu contra a barreira, faíscas se espalhando em todas as dire??es. O ch?o rachou sob seus pés, e uma onda de choque se espalhou pela área.
Mas a máquina n?o parou.
Ela empurrou contra a barreira, rachando-a lentamente, for?ando-se para atravessá-la. Samuel manteve a m?o erguida, mesmo quando seus dedos come?aram a perder firmeza.
Samuel sentiu seu corpo fraquejar. Aquilo estava sugando sua energia rapidamente. O sombrio daquele mundo era avassalador, esmagador.
A esperan?a ali era uma chama fraca, e ele estava queimando-a rápido demais.
— N?o — murmurou Samuel, mais para o mundo do que para si mesmo.
Ent?o, tomou uma decis?o.
Ele afastou a m?o e deixou a barreira ceder.
O rob? avan?ou num movimento certeiro, suas laminas prontas para matá-lo.
Mas era exatamente isso que Samuel queria.
No instante em que a máquina ultrapassou o escudo, ele canalizou tudo que lhe restava e tocou o núcleo brilhante em seu peito.
Por um segundo, a luz pareceu pequena demais para aquele mundo.
A luz da esperan?a explodiu.
Uma onda de energia dourada se espalhou pelo corpo metálico do rob?, infiltrando-se em cada pe?a, cada fio, cada circuito.
A máquina parou.
Seus olhos piscavam freneticamente, como se estivesse lutando contra algo invisível. Seu corpo come?ou a tremer, faíscas escapando de suas juntas.
Ent?o, Samuel viu.
Por um breve instante, flashes de memórias passaram pelo olhar morto do rob?.
Cidades em chamas. Pessoas correndo. Máquinas exterminando tudo à sua volta.
E um comando final gravado em seu código: "Elimine a esperan?a humana."
Samuel apertou os dentes e aumentou sua energia.
O rob? gritou. Um som horrível, metálico e distorcido.
A luz de seu núcleo brilhou intensamente... depois escureceu.
Seu corpo come?ou a rachar e, aproveitando a oportunidade, Samuel apontou sua escopeta no núcleo daquela coisa e ent?o disparou, fazendo o mesmo explodir.
Os restos da máquina foram lan?ados pelo ar, peda?os de metal se espalhando pelos destro?os ao redor.
Samuel recuou cambaleando. Seu corpo doía. Sua respira??o estava pesada.
Ele olhou para sua m?o, antes brilhante, agora apagada.
Ele havia usado demais.
O sombrio era forte demais ali.
Se continuasse assim, n?o conseguiria manter a esperan?a viva por muito tempo.
Mas ent?o, algo chamou sua aten??o.
Os sobreviventes ainda estavam lá.
E, pela primeira vez... pareciam surpresos.
Eles olhavam para Samuel com algo que n?o demonstravam há muito tempo.
Talvez, por um breve instante...
Eles tivessem sentido a esperan?a.
Samuel fechou os punhos e se for?ou a ficar de pé.
Ele havia gasto tudo. Energia. Esperan?a.
E antes que seu corpo cedesse, um último pensamento cruzou sua mente.
Eles sentiram. A esperan?a ainda existe.
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